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Sexta-feira, 28/05/10 - 11:07

Gemologia: Física e tecnologia no combate ao crime

Quinze de março de 2010: relógios, pulseiras e correntes são apreendidos pela Polícia Civil com comerciantes nigerianos envolvidos com o tráfico de entorpecentes na zona leste da Capital. Para comprovar a autenticidade, as jóias tiveram como destino o mais novo espaço do Núcleo de Física do Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo: o laboratório de Gemologia.

Inaugurado em 12 de março passado, o novo laboratório conta com instrumentos de última geração, entre aparelhos eletrônicos, microscópios, líquidos especiais e ferramentas próprias para a identificação de pedras preciosas e diferentes tipos de minerais. Com a utilização destes equipamentos é possível analisar se peças apreendidas em ocorrências policiais são autênticas ou falsas.

O laboratório de Gemologia é um dos diversos laboratórios do Núcleo de Física, onde são realizados vários tipos de perícias, utilizando os conceitos da física para a comprovação de delitos. Os materiais analisados pelo grupo de peritos são muitas vezes produtos de furto, roubo, ou até mesmo peças envolvidas em negociações de estelionatários ou traficantes.

O novo laboratório foi um projeto idealizado e realizado pelo gemólogo Antonio Soeiro, juntamente com o atual diretor do Núcleo de Física, Waldir Dainese, e seu antecessor, Adilson Pereira – atual diretor do Centro de Exames, Análises e Pesquisas (Ceap), e responsável pela efetivação do projeto. O investimento pela Superintendência da Polícia Técnico Científica foi de aproximadamente R$ 397 mil. A verba foi utilizada na aquisição dos equipamentos para deixar o processo de identificação das pedras mais rápido.

Para Dainese, o novo laboratório foi uma conquista.  “A implantação do laboratório foi importante para agilizar as perícias; antes, esse serviço era realizado de forma terceirizada” explica. O prazo mínimo para a conclusão da perícia é de 30 dias, que podem ser prorrogados de acordo com o caso. "Com o laboratório, reduziu-se em 50% o tempo no processo de elaboração de laudos e relatórios de análises", complementa.

Antonio Soeiro é gemólogo há 40 anos. Segundo ele, a inauguração do laboratório fez a demanda de atendimento aumentar. “É muito importante a implantação do laboratório dentro do IC, justamente para poder atender aos pedidos das delegacias e do judiciário na identificação dos minerais e metais, que são apreendidos, de uma forma rápida e eficiente.”

Segundo Soeiro, perícias para casos de roubo ou furto de jóias são solicitadas com frequência, pois o Poder Judiciário, muitas vezes, precisa saber se o material adquirido de forma ilícita é autêntico ou falso. De acordo com o resultado, a pena do acusado pode ser agravada. “Os testes que fazemos são para dar a conclusão”, ressalta Soeiro.

 

Fonte: http://www.ssp.sp.gov.br/noticia/lenoticia.aspx?id=20361